MKA – Medical Knowledge Academy
Sede: Rua da Silva Magalhães 65
2300-593 Tomar

Telefone: 249 199 199*
E-mail: geral@mkasaude.pt

*Custo chamada para rede fixa nacional

Copyright GPS Saúde - 2026.Todos os direitos reservados.

Raul Marques Pereira: Podemos falar de prevenção primária em dor crónica?

Sexta-feira, 24 Março, 2023

Raul Marques Pereira, coordenador do Grupo de Estudos de Dor da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), colabora com a edição 139 do Jornal Médico acerca do 30. Congresso de Medicina da Dor – ASTOR, realizado nos dias 3 e 4 de fevereiro.

Leia o artigo de opinião.

“Os Cuidados de Saúde Primários (CSP) são o grande pilar da prevenção primária e atuam em diversas áreas, como o risco cardiovascular, com reconhecido empenho e resultados.

No Congresso Astor deste ano foi-me pedido para discutir a temática da prevenção primária em Dor Crónica tentando perceber se é possível falar de prevenção primária de dor crónica, especialmente em CSP.

A complexidade da dor e do seu impacto na vida das pessoas em que esta assume fenómenos de complexidade não é compatível com soluções simplistas e que contem apenas com boas intenções. É fundamental entender quais são os mecanismos certos para desencadear a mudança necessária à prevenção.

Neste aspeto será importante elencar algumas nuances, fundamentais para um alinhamento adequado deste tema:

1. Exercício Físico

É hoje consensual que o exercício físico deve ser promovido como uma medida de estilo de vida saudável e, no caso da dor crónica, como um fator que a pode prevenir. No entanto, há extensa literatura que nos diz que o mero aconselhamento de exercício de uma forma generalista em CSP é inecaz e não gera mudança.

2. Mudança de comportamento

No que diz respeito ao aconselhamento de mudança de comportamento, para adoção de estilo de vida saudável, os resultados são semelhantes. Verica-se que a valorização deste aconselhamento só é feita quando este é dirigido de uma forma altamente terapêutica, como se se tratasse de uma receita médica. De outra forma não tem impacto.

Importa por isso refletir sobre como podemos identificar as pessoas em maior risco para o desenvolvimento de dor crónica de forma a poder, que a prevenção primária é definida em função do risco de cada indivíduo e há uma grande proatividade na implementação de estratégias para retardar o aparecimento de doença. Determina-se uma estratificação de risco desde a idade adulta e desenvolvem-se estratégias diferenciadas para as pessoas de alto e muito alto risco.

Se adotarmos esta linha de pensamento para a dor podemos implementar, principalmente em CSP, questionários que estratifiquem o risco para o desenvolvimento de dor crónica. Estes questionários devem incorporar as variáveis que já conhecemos como sendo determinantes de risco para cronificação de dor como a idade, o género, a depressão e ansiedade, eventuais cirurgias e dor associada.

A criação destes questionários e a sua transposição para tabelas de risco semelhantes às usadas no SCORE cardiovascular poderão ser um ótimo auxílio tanto para a perceção de risco por parte do médico como para a transmissão deste risco à pessoa em risco.

Atendendo ao impacto pessoal e socioeconómico da dor crónica esta identificação precoce das pessoas em maior risco poderá ser geradora de melhorias tanto nos indicadores de saúde como nos índices de absentismo laboral.

É, por isso, imprescindível operar esta mudança. Só com a criação de ferramentas simples, mas robustas que nos permitam aferir o risco de dor crónica podemos identificar as pessoas em maior risco e fazer efetiva prevenção primária em Dor.”

Novo Programa de Saúde

Descubra o “GPS Essência Saúde”!

O programa “GPS Essência Saúde” promove o equilíbrio físico e emocional, com foco no bem-estar e na qualidade de vida.